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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

‘Mural da gratidão’: hospital cearense reúne relatos de pacientes para profissionais


Com a proximidade do fim do ano, a retrospectiva do que foi vivido é inevitável. Em um 2020 atípico, em que hospitais lotaram e o afeto presencial foi prejudicado por imposição da Covid-19, cartas de gratidão escritas por pacientes fazem o sorriso de profissionais que trabalham no Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar (HMJMA), no Centro de Fortaleza.

O movimento de agradecimento começou a ser percebido em novembro, segundo o diretor do HMJMA, o médico Adriano Veras. “Chegando no final do ano, nós começamos a perceber um feedback dos pacientes por cartas. Eles, com caneta e papel, faziam questão de deixar os agradecimento à equipe na diretoria do hospital”, relembra.

A grande quantidade de mensagens afetuosas espontâneas fez com que o diretor pensasse no mural da gratidão. “Diante desse momento, quando estamos fechando o ano, com o pessoal já cansado da luta, principalmente nesse ano, eu quis compartilhar com toda a equipe para valorizar o trabalho deles, elevar a moral e evidenciar o reconhecimento natural por parte dos pacientes. Além disso, é importante para mudar a nossa rotina, pois são muitas altas, cirurgias, curativos, e acabamos perdendo um pouco da sensibilidade”, pondera.

Conforme Veras, as cartas são direcionadas aos profissionais, desde os que compõem o serviço geral da unidade aos médicos e enfermeiros. “Dentre esses [profissionais], os mais elogiados são os funcionários do serviço geral. Eles estão fazendo a diferença aqui no cuidado. Pra mim, isso foi uma descoberta fenomenal que, não fossem as cartinhas, nós não saberíamos desse apreço e cuidado por parte deles”, diz, mencionando um possível reconhecimento especial para os profissionais em destaque, após o período pandêmico.

Para além do período de fim de ano, o médico pretende permanecer com o quadro durante os próximos meses como um instrumento de gestão. “Eu considero o mural como uma ferramenta para identificar as nossas jóias existentes aqui dentro. Além de oportunidades para melhorar em algum aspecto e compartilhar boas práticas”, afirma.

Aos 58 anos, a psicopedagoga Maria Aparecida Gomes Monteiro passou pela primeira cirurgia da vida no HMJMA, em outubro deste ano. “Fiz uma cirurgia de vesícula lá e convivi dez dias com eles, então resolvi escrever uma cartinha agradecendo pela atenção de toda a equipe, enfermeiros, funcionários e médicos”, diz.

“Foi a minha primeira experiência com cirurgia e, pra mim, a questão da acolhida foi muito marcante. Pra quem está hospitalizado, isso é essencial. Eu vi, na prática, o exercício da medicina humana, o que não é tão normal de se ver com a correria da rotina”, completa Aparecida.

Por: Diário do Nordeste.

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