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segunda-feira, 23 de novembro de 2020

No Interior, candidato derrotado cobra de volta dinheiro e cimento dado a eleitor


Os áudios de Chico ganharam os grupos de WhatsApp da cidade e região. Em uma das gravações, o candidato retorna à uma eleitora após um suposta investigação realizada por ele. Na ocasião, Chico foi enfático ao exigir os seus oito sacos de cimento de volta. (Foto: Divulgação/O Tempo).

Embora ilegal, a troca de votos por bens, dinheiro ou favor parece que já se tornou uma prática naturalizada no Brasil. Em Nova Russas (a 304km de Fortaleza), o que soou de forma cômica foram as declarações de Chico Martins. Após a derrota dele e do candidato a prefeito que ele apoiava, o candidato do PP ameaçou tomar materiais doados a eleitores, que teriam sido entregues como forma de compra de votos.

Os áudios de Chico ganharam os grupos de WhatsApp da cidade e região. Em uma das gravações, o candidato retorna à uma eleitora após uma suposta investigação realizada por ele. Na ocasião, Chico foi enfático ao exigir os seus oito sacos de cimento de volta. “Eu acabei de descobrir que o seu pai votou foi no Chico do Edgard (candidato concorrente) e a sua mãe também não votou em mim. Mande ajeitar porque eu vou mandar buscar os meus oito sacos de cimento. Bote na calçada, que não quero nem olhar para eles. De gente covarde, eu quero distância”, desabafou.

Após receber o resultado das urnas, com apenas 139 votos, Chico gravou um novo áudio, enfatizando sua revolta e indignação. Em mais uma declaração, o candidato demonstra não abrir mão do cimento perdido. “Só se Deus me tirar daqui para o final de semana, mas eu vou buscar”, disparou inconformado.

Chico Martins não ficou sem resposta. Uma eleitora, que não se identifica nos áudios, devolve as declarações e, ainda por cima, destrincha artigos da legislação eleitoral. De acordo com as declarações da mulher, o dinheiro e o cimento também seriam em troca de votos a Pedro Ximenes (MDB), candidato a prefeito derrotado em Nova Russas. “Tu me deu R$ 165 para ter três votos. Meu esposo, meu filho e eu votamos em ti o no teu prefeito, o 15 (Se referindo ao candidato Pedro Ximenes). E rapaz, se tu tá nessa brigadeira (sic) toda por esse dinheiro, tu passa lá em casa que eu te devolvo. Me comprometi em votar no teu prefeito, que perdeu você e ele. Sou pobre, mas não ando brigando por mixaria, não, viu. Coisa feia, rapaz”, criticou.

Crime

De acordo com o especialista em direito eleitoral, Júnior Bonfim, as punições para esse tipo de ação cometidas por Chico Martins estão previstas em lei. Ele explica que o código eleitoral traz em seu artigo 299 que dar, oferecer, prometer, solicitar dinheiro ou qualquer outra vantagem para obter ou dar voto, ainda que a oferta não seja aceita, constitui crime. “É um crime previsto com reclusão de até 4 anos e pagamento de 15 a 20 dias multa. A nossa legislação é clara e ela pune não só quem dá, mas também quem solicita. Então, ambos, quem promete e quem recebe ou solicita, deverão responder por este artigo previsto no código eleitoral”, detalhou.

Para o cientista político e professor da UFC, Cleyton Monte, o processo de compra de votos é algo histórico no Brasil. Segundo o especialista, isso ocorre porque há um leque de condições que proporcionam essa prática. “Existe em decorrência das circunstâncias, do contexto de cada região. No caso do Ceará é um contexto de pobreza, de desigualdade extrema. Desde 2016 todos os índices sociais pioraram: pobreza, analfabetismo, mortalidade infantil, renda, emprego. Acredito que isso acaba pressionando por uma maior presença de compra de votos. Então, apesar das fiscalizações, essa prática persiste porque há um terreno propício a ela”.

Bastidores

Segundo o que foi revelado pela própria eleitora, Chico também exigia que os votos comprados por ele fossem destinados a Pedro Ximenes. Conforme apuração do ” A Notícia do Ceará “, a exigência de Chico não era apenas por uma mera simpatia ao candidato a prefeito derrotado nas eleições de Nova Russas mas, sim, por ele ser pai de Flávio Farias, candidato a vice-prefeito na chapa de Ximenes.

O fato é confirmado em outro áudio, quando um apoiador do candidato a vereador revela como estava sendo feito o acordo na hora da compra do voto. “O compromisso era quatro sacas de cimento para votar os três da sua casa em mim e no 15 [número de Pedro Ximenes]. Fiz com esta mulher também, aí, fiz com ela e com não sei quantos”, revela Chico Martins.

Histórico

Não é primeira polêmica envolvendo Chico Martins no âmbito político. Em período de campanha, a própria filha do candidato a vereador, Natália Farias, rechaçou a iniciativa de Chico ter, supostamente, influenciado Flávio Farias a ser candidato a vice-prefeito na chapa de Pedro Ximenes. Conforme relatos no áudio a seguir, Natália considera como “monte de bandido, vagabundos” o grupo político a qual o irmão e o pai se tornaram aliados nas eleições 2020.

O grupo a qual Natália se refere é encabeçado por Marcos Alberto, ex-prefeito cassado e preso em Nova Russa, e Francisco Araújo, conhecido como Neném Lima, acusado pelo Ministério Público de fraudar licitação para aquisição de combustível e derivados de petróleo em Tamboril, município vizinho a Nova Russas. “Consta que no período do ano de 2009, os denunciados promoveram ajustes criminosos para fraudar o caráter competitivo da licitação para aquisição de combustível e derivados de petróleo”, diz o Ministério Público”.

Além destes, o grupo é composto por Pedro Ximenes, candidato derrotado nas eleições 2020, o qual Natália considera “mentiroso, bandido, pilantra”. Natália ainda discorre sobre uma possível reputação daquele que estava concorrendo ao cargo de prefeito municipal. “A vida dele é enganar todo mundo aonde ele passa”.

Por: anoticiadoceara.

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