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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Débora Ester e Lídia



Por: Maria Lopes.

Costumeiramente os cristãos esbarram na palavra submissão e ecoam a devida forma de conduta da mulher diante do homem, esquecendo que a mesma bíblia também, de forma inconfundível, mostra a face de três mulheres notáveis, cada uma em seu contextos sócio-culturais. Nisso, desfilam Débora, Ester e Lídia.

Débora, cujo nome significa "abelha", foi profetisa e a quarta juíza de Israel. Sua história está descrita no Livro dos Juízes, capítulos 4 e 5, personagem que com Baraque, liderou os israelitas contra o domínio de Canaã, por volta do século XII a.C. sendo a única mulher citada na Bíblia a ter o status de juíza embora sendo, pelo que parece, de origem simples, haja vista no texto bíblico ela é apresentada como esposa de Lapidote e que prestava atendimento como profetisa debaixo das palmeiras.

Além de juíza ela também era profetisa, sendo assim, tinha autoridade divina para discernir e dar soluções ao que a procuravam, no entanto e para não diferir das demais culturas reinantes dos tempos em que a Bíblia foi composta, liderança surgida do seio de um povo patriarcal, dominante nos povos cananneus séculos anteriores à era cristã, conforme estudos arqueológicos.

A ação de Débora se deu após a morte de Eúde o povo de Israel tornou a pecar contra Deus, sendo por isso entregue nas mãos de Jabim, rei de Canaã. Por vinte anos Israel esteve sob o jugo de Canaã, sendo violentamente oprimido por Sísera, capitão do exército de Jabim e que contava com uma frota de carros de ferro que o tornava invencível para Israel.

Cansada daquela situação, certo dia Débora mandou chamar Baraque, e lhe disse que Deus havia ordenado que ele escolhesse dez mil homens das tribos de Naftali e Zebulom para enfrentar Sísera e que a vitória já estava garantida por Ele. Apesar de confiar na palavra que recebeu, Baraque pediu para que Débora acompanhasse a ele e seu exercito no dia da batalha. Isso porque ela era juíza e profeta e sua presença com certeza seria capaz de inspirar confiança nos homens escolhidos para a guerra.

Interpretes judeus e cristãos têm alegado que, por esse pedido, Baraque havia perdido a honra de matar Sísera e receber o renome pela vitória, como Débora teria lhe dito que tal essa honra seria dada a uma mulher.

Ao ouvir dizer que os israelitas estavam alinhados para a guerra, Sísera convocou todo os seus carros, novecentos carros de ferro e todo o povo que estava com ele. Quando o momento da batalha chegou, houve grande confusão entre o exercito de Canaã e eles foram derrotados. Sísera fugiu a pé da batalha para a tenda de Jael, mulher de Héber, o queneu, e seu marido era aliado a Sísera pois existia um acordo de paz entre eles. No fim, Sísera foi morto por Jael, fortalecendo o povo de Israel vencedor dessa batalha.

Ao final, Débora cantou um hino de gratidão ao Deus de Israel, demonstrando o quão sensível era com as questões políticas e espirituais de Israel.

Ester, também conhecida como Hadassa bat Avihail, foi esposa do rei persa Assuero, e sua história é contada no Livro de Ester.

Essa mulher originária da Judeia, quando ela entra para o harém real, recebe o nome de Ester, que possivelmente era a designação dada à mirta, pelos povos medos. A palavra é bastante próxima da raiz do termo que designa tanto "mirta" como "estrela", a forma da flor, comparada à "estrela da manhã" e é também considerada como tema do Salmo 22.

Ester foi esposa do rei persa Assuero (geralmente identificado como Xerxes, o rei persa que invadiu a Grécia e lutou contra os espartanos liderados por Leónidas I na Batalha das Termópilas.

Ester era filha de Avihail (ou Abigail) da tribo de Benjamim, uma das duas tribos que constituíam o Reino de Judá antes de sua destruição pelos babilônios e das deportações da elite do reino para as províncias do Império Persa, morando com Mardoqueu, seu primo, este, ocupando uma função administrativa no palácio do rei persa, em Susã.

Quando a rainha Vasti foi deposta, os funcionários do rei foram designados a levar-lhe as moças virgens para que escolhesse a que mais lhe agradasse.

Conforme a tradição judaica de não se casar com povos pagãos, que não adoravam ao Deus dos Judeus, Mardoqueu não queria que Ester participasse na seleção, mas sua beleza chamou a atenção dos funcionários do rei, de modo que a levaram, nessa situação, Mardoqueu não poderia impedir tal acontecimento visto que eles eram apenas estrangeiros na terra.

Ester fora a escolhida, tornando-se esposa de Assuero. Quando o ministro Hamã decide exterminar os judeus do reino, Ester está em uma condição privilegiada para pedir ao rei que anule o decreto de seu ministro.

Ester usou a influência que tinha como rainha para impedir o extermínio do seu povo, ao descobrir que havia sido emitido um decreto oficial que especificava um dia em que todos os judeus que viviam no Império Persa seriam mortos.

Com a ajuda de seu primo mais velho, Ester revelou o plano ao seu marido, o rei Assuero, mesmo correndo risco de vida, daí, o rei permitiu que Ester e Mordecai emitissem um outro decreto, autorizando os judeus a se defender e os judeus derrotaram os seus inimigos com sucesso.

O que podemos aprender com Ester é que ela deu um excelente exemplo de coragem, humildade e modéstia. Embora fosse muito bonita e ocupasse uma posição de poder, ela buscou ajuda e conselhos de outros, falou com seu marido de forma corajosa, com tato e respeito e, mesmo quando os judeus estavam condenados à morte, ela teve coragem e disse que era um deles.

Lídia, a terceira personagem do elenco de mulheres notáveis da Bíblia, viveu na era cristã, inscrita na lista dos santos católicos pelo cardeal César Barónio em 1607. Ela e os familiares da sua casa estavam entre os primeiros na Europa a aceitar o cristianismo, por volta de 50 Era Cristã, em resultado da atividade do apóstolo Paulo em Filipos.

Moradora de Filipos, a principal cidade da Macedónia, mas seria originária de Tiatira ou pelo menos teria morado lá anteriormente, bem conhecida pela sua indústria de tingimento e é provável que Lídia tivesse aprendido ali as habilidades que vieram a se tornar sua profissão.

É possível que Lídia se tivesse mudado por causa do trabalho, quer para cuidar do seu próprio negócio, quer como representante de uma firma de tintureiros tiatirenos. Mais tarde, já em Filipos, Lídia vendia púrpura tíria, quer o corante, quer o vestuário e tecidos tingidos com ele. Parece que era ela quem dirigia a sua casa, o que pode ter incluído escravos ou servos, e, portanto, possivelmente era viúva ou solteira.

Nos evangelhos é descrita como "adoradora de Deus", o que indica que poderia ser uma gentia convertida ao judaísmo.

Tudo indica que esta mulher não era materialista, embora tivesse uma boa fonte de rendimento, visto que reservava tempo para as actividades religiosas no sábado, tendo ainda de enfrentar crescentes sentimentos de anti-semitismo.

A vida em Filipos não devia ser fácil para os judeus e para os prosélitos do judaísmo, visto que, pouco antes da visita de Paulo, o Imperador Cláudio havia banido os judeus de Roma. Talvez houvesse poucos judeus e nenhuma sinagoga em Filipos, de modo que, no sábado, ela e outras mulheres devotas se reuniam junto a um rio fora da cidade. Há quem afirme, porém, que a lei romana proibia aos judeus a prática de sua religião nos "limites sagrados" de Filipos. Portanto, depois de passar "alguns dias" lá, os missionários encontraram, no sábado, o tal lugar junto a um rio, fora da cidade, onde "pensaram haver um lugar de oração", local onde estavam apenas mulheres, uma das quais era Lídia e quando o apóstolo Paulo pregou a estas mulheres, Lídia escutou com atenção acerca de Jesus e depois de ser batizada, junto com os da sua casa, mostrou sua hospitalidade ao suplicar a Paulo e aos seus companheiros que ficassem no seu lar. O escritor dos Actos dos Apóstolos, companheiro de viagem de Paulo, acrescenta: "Ela simplesmente nos fez ir." (Atos 16:11-15).

A Bíblia não especifica quem eram os membros da família de Lídia, que podia ser solteira ou viúva, já que não se fala do marido. A sua família talvez fosse composta de parentes, mas esse termo podia referir-se também a escravos ou servos. De qualquer forma, Lídia foi pronta a transmitir às pessoas que moravam com ela a sua nova fé e as coisas que havia aprendido.

Três mulheres que não se põem na tela da submissão apregoada ainda hoje nas igrejas persuadindo severamente a muitas famílias convertidas a exalarem resquícios da sociedade patriarcal que tenta obstar os direitos da mulher, calando-as desde o contexto familiar e nisso a voz do cristianismo se abafa, haja vista Deus ser expressão de vigor, força, decisão, atitude, sabedoria, positivismo, autoafirmação.

A submissão interpretada nos Evangelhos possivelmente soe destoante da essência cristã em que a igualdade emanava em cada atitude do Mestre Jesus Cristo (com Maria, Madalena, a Samaritana etc.) e que nesse paradigma, coloca as mulheres em espaço de rebaixamento e, para pálidos de entendimento, é suporte de opressão e exaltação maldosa, de injúrias, grosserias no reduto do lar, de abusos, inclusive de agressões físicas mais comuns do que imaginamos em lares que se afirmam cristãos.

Acordemos, mulheres cristãs, as do caráter de Débora, Ester e Lídia continuam vivas para lutar com honradez e fazer esse diferencial.

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