Pesquisa da Universidade de Fortaleza oferece atendimento psicológico virtual a mulheres vítimas de violência doméstica ~ TribunaIguatu.com
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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Pesquisa da Universidade de Fortaleza oferece atendimento psicológico virtual a mulheres vítimas de violência doméstica


Em meio à pandemia do novo coronavírus, o aumento nos casos de violência contra a mulher também causa preocupação. Para diminuir as consequências psicológicas acarretadas, o projeto coordenado pelo professor do programa de Pós-Graduação de Psicologia da Universidade de Fortaleza, Leonardo Danziato, oferecerá apoio online ou por telefone às vítimas. A iniciativa está prevista para começar a partir da próxima semana.

Conforme o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH), os casos relatados à Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, aumentou em 40% em abril deste ano, se comparado ao mesmo período de 2019. Isso se deve ao fato de que as vítimas passam maior tempo ao lado dos agressores por causa do isolamento social.

Projeto

Com o título “Violência de gênero no isolamento social da pandemia da Covid-19: Uma proposta de intervenção em urgência subjetiva com mulheres em situação de vulnerabilidade e risco”, a ação nasceu de outro estudo que acabou entrando nos dez projetos escolhidos para financiamento científico da Fundação Edson Queiroz no combate à Covid-19.

“Nós temos um laboratório de estudos sobre psicanálise, cultura e subjetividade. Estamos participando de uma pesquisa francesa que abrange vários países sobre violência de gênero contra a mulher. A Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (DPDI) lançou um edital sobre a pandemia de coronavírus, e nós juntamos o útil ao agradável”, explica o professor Leonardo.

Os atendimentos passarão primeiro pela Defensoria Pública do Ceará, e depois serão enviados ao Núcleo de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher (Nudem), que acolhe de 150 a 300 mulheres por mês.

Os relatos serão sujeitos a uma triagem que identificará a gravidade de cada caso e os conduzirá à assistência da pesquisa. “Nós vamos trabalhar com a demanda do pessoal da Nudem, que aumentou de 30% a 40%”, informa o coordenador.

Danziato conta ainda que o auxílio acontecerá por meio de ligação ou vídeo chamada. Serão distribuídos chips de celular para que a vítima não precise arcar com as despesas telefônicas. O projeto permanecerá até dezembro de 2020.

Primeiros sinais

Os primeiros sinais de um relacionamento abusivo, que podem acabar em violência física, psicológica ou emocional, aparecem em pequenos detalhes, como “determinar a roupa, não deixar trabalhar, impedir a independência financeira, não conseguir fazer nada sem a autorização do parceiro”, de acordo com o professor.

Ele alerta que alguns comportamentos naturalizados na sociedade contribuem para que as mulheres não percebam quando o relacionamento é abusivo. “A violência de gênero contra a mulher é sistêmica. De certa maneira ela faz parte da cultura e é um tanto naturalizada. A Lei Maria da Penha teve essa função de deixar claro e criminalizar essa atitude. Por uma questão social e cultural, as mulheres vivem isso e não se dão conta. Nem sempre é uma violência física, às vezes começa por uma pressão”, relata.

Por: G1-CE.

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