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sexta-feira, 19 de junho de 2020

Abraham Weintraub deixa o Ministério da Educação


Abraham Weintraub não é mais o ministro da Educação. O comunicado foi feito na tarde desta quinta-feira, 18, pelo agora ex-ministro e pelo presidente Jair Bolsonaro em um pronunciamento em vídeo. Weintraub assumiu o cargo em abril de 2019 após a demissão de Ricardo Vélez Rodríguez.
Weintraub disse que vai assumir um posto de diretoria no Banco Mundial.“Sim, dessa vez é verdade, estou saindo do MEC e vou começar a transição agora e nos próximos dias eu passo o bastão para o ministro que ficar no meu lugar, interino ou definitivo”, disse.
Carlos Nadalim, atual secretário de alfabetização da pasta, deve assumir interinamente o ministério. Nadalim trabalha no MEC desde a gestão de Ricardo Vélez, antecessor de Weintraub no posto. Assim como Vélez e Weintraub, o secretário é da ala ideológica do governo influenciada pelas ideias do escritor Olavo de Carvalho.
O estopim da saída teria sido a participação de Weintraub em ato contra o Supremo Tribunal Federal no domingo (14). “Já falei a minha opinião, o que faria com esses vagabundos”, disse. Ele é alvo de investigação do Supremo por ter defendido, em reunião ministerial de 22 de abril, que os ministros da mais importante corte do país fossem presos.
A troca de comando no MEC é vista como possibilidade desde o final de 2019. Ele é alvo de insatisfação no Congresso, no STF e na ala militar do governo. Ele já protagonizou atritos envolvendo o Enem, o Fundeb, método de escolha de reitores e resistiu a negociação de cargos no governo.
A pressão pela saída do cargo foi crescendo ao longo da gestão e sendo encorpada por diversos setores. A primeira grande reação ao nome do ex-ministro começou no ano passado, quando ele determinou o contingenciamento de recursos destinados a universidades públicas.
As cobranças reverberaram no Poder Legislativo e deputados e senadores também passaram a pedir a substituição do ministro. No Congresso, o pleito não era exclusividade da oposição; o próprio presidente Rodrigo Maia (DEM) criticou Weintraub por diversas vezes e chegou a pedir a saída do ministro, a quem chamou de desqualificado.
Nas últimas semanas, a crise se intensificou depois que a postura do ministro gerou reações contrárias em dois segmentos importantes para o presidente Jair Bolsonaro: os deputados do Centrão e o Poder Judiciário.
O impasse com o Centrão, grupo em que o presidente aposta as fichas para conseguir estruturar uma base legistativa, se deu porque Weintraub resistiu à nomeação de um indicado do bloco informal para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Com isso, o ex-ministro tinha atritos com o presidente da Câmara, a oposição e o centro.
O embate com o judiciário teve o ponto mais crítico quando foi divulgado o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril. Na gravação, Weintraub aparece defendendo a prisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal. A reação da Corte foi forte e imediata: além do repúdio dos ministros, Weintraub foi convocado por Alexandre de Moraes a prestar depoimento à Polícia Federal sobre as declarações contra o Supremo.
Isolado, Weintraub encontrou guarida na ala mais extrema do Bolsonarismo. No último fim de semana, participou de atos em defesa do governo e voltou a se referir aos ministros do STF como vagabundos. Sem apoio nem mesmo de aliados do governo, Weintraub foi multado pelo governo do Distrito Federal por ter ido sem máscara ao protesto.
Por: Repórter Ceará – Congresso em Foco.

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